Entenda como funciona o FINANCIAMENTO!

Olá, hoje quem escreve aqui no blog é Jorge Metello, sou Diretor Financeiro da Vece. Vou falar um pouco mais sobre um assunto que muitas pessoas têm dúvidas: O FINANCIAMENTO.

Alguns assuntos são realmente muito complexos e não temos escolha, somos obrigados a lidar com eles no dia-a-dia. Cito como exemplo o valor do dinheiro no tempo, sistemas de amortização, tipo de taxas de juros, fórmulas complexas, teoremas, algoritmos e etc.
Por mais que o professor tentasse, para mim estava sempre tudo fora de contexto e a primeira pergunta que eu me fazia era: Por que tenho que saber isso? Quando crescemos e saímos para o mundo a fora, aqueles contextos que faltaram na escola, nos são apresentados pela vida. Um pouco atrasados, mas enfim, pelo menos hoje temos Google para nos ensinar qualquer coisa a qualquer momento, não é mesmo?

Ao comprarmos um bem financiado, junto vem uma ótima oportunidade e um excelente contexto para entendermos o tema FINANCIAMENTO e tudo o que o professor de matemática tentou nos ensinar relacionado a isso.

Mas afinal, o que são juros e amortização?

Para facilitar, proponho compararmos o aluguel de um apartamento, com um financiamento de R$ 100,00. Afinal, um financiamento nada mais é do que um aluguel de dinheiro:

Pense que você é inquilino em um apartamento de 100M² e o mercado da região cobra R$ 10,00 de aluguel por M², por mês. Isso significa que por mês você pagará pelos 100M² do apartamento R$ 1.000,00 de parcela de aluguel. Esse aluguel será cobrado mensalmente até que o contrato termine, ou até que você devolva o apartamento ao dono.

Agora, vamos pensar que você faz um empréstimo de R$ 100,00 e o mercado cobra 1% de juros ao mês. Isso significa que você pagará R$ 1,00 por mês pelo “aluguel” de R$ 100,00. Ou seja, enquanto você não devolver esses R$ 100,00 ao dono dele, você terá que pagar R$ 1,00 todo mês pelo dinheiro.

Portanto, os juros são para o dinheiro o que o aluguel é para um imóvel alugado. Ou seja, enquanto existir a “dívida”, haverá juros.

A grande diferença é que, no caso de um apartamento, não tem como devolvê-lo parcialmente ao dono. Ou você devolve o apartamento todo e para de pagar o aluguel, ou você continua com ele todo e paga o aluguel todo. Caso fosse possível devolver um imóvel parcialmente, o que teríamos é que, enquanto você alugasse 100M², você pagaria R$ 1.000,00 de aluguel por mês. Se você devolvesse 20M² ao dono, ficando com 80M², você passaria a pagar R$ 800,00 de aluguel, e por aí vai.

Já com o dinheiro, você pode (e é praxe) ir devolvendo ele ao dono de forma parcial e, à medida que vai devolvendo, vai pagando menos juros (“aluguel”) por ele.

É exatamente essa devolução do dinheiro que chamamos de AMORTIZAÇÃO.

Assim dá para concluir que, quando se faz um financiamento, o interesse do devedor é que essa dívida seja paga o quanto antes. Isso por que, enquanto restar dinheiro para ser devolvido, em outras palavras, enquanto houver saldo devedor, há também a cobrança de juros sobre ele.

Mas é só isso que eu preciso saber?

Saber qual o sistema de amortização que será adotado para a devolução do dinheiro é essencial para o acompanhamento deste empréstimo, e é aí que está a complexidade do financiamento. A dificuldade é saber exatamente quantos reais (R$) de uma parcela são para pagamento de juros e quantos reais (R$) dessa parcela estão sendo, de fato, abatidos do montante final. Por outro lado, se você entende o sistema de amortização, o que era um “bicho de 7 cabeças” passa a ser continha de 2 + 2. A Tabela Price, ou Sistema Price, ou ainda, Sistema Francês de amortização determina a forma como as parcelas são calculadas e ainda, quanto dessa parcela é juros e quanto é amortização.

Entenda melhor observando o infográfico abaixo:

Resumindo…
Na tabela abaixo, onde há a simulação do financiamento até o fim do prazo, você pode verificar esses valores acima, e mais algumas coisas interessantes:

• Repare após o pagamento da última parcela, que o saldo devedor é zero. O que significa que o dinheiro foi todo devolvido.
• Outra coisa interessante, repare que o valor dos juros ao longo do tempo vai diminuindo, ao passo que o valor de amortização vai aumentando. Isso é natural. Como o saldo devedor vai caindo ao longo do tempo e os juros são calculados em função dele, é natural que os juros diminuem.
• Além disso, se o valor da parcela é sempre igual, os juros são menores e a diferença entre o valor da parcela e os juros é a amortização, significa que vai sobrando cada vez mais dinheiro para a amortização.

No final, como a matemática é exata. Se a conta não fechar, significa que algo está errado ou fora do lugar. Na Tabela Price, a expressão “a conta fechar “ significa o saldo devedor ser igual a zero. Se não for, algo de errado aconteceu.
Espero que eu tenha conseguido diminuir um pouco as dúvidas sobre os temas, mas se mesmo assim você ainda tenha dúvidas, sinta-se à vontade em marcar um horário para tomar um café conosco e conversar um pouco mais sobre o assunto! 😉